Trânsito interno

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Parada aqui no trânsito, no meio de tanta gente apressada como eu, é difícil não se deixar levar por aqueles pensamentos que só aparecem quando sua cabeça está desocupada demais de todas as outras que você insiste e reinsiste todos os dias em preencher os seus pensamentos.

A pressa aumenta, a música no rádio começa ficar irritante e aparentemente todas as estações do rádio resolveram tocas músicas insuportáveis ao mesmo tempo. Então, percebo que no fundo, no fundo mesmo, nem o horário atrasado para entrar no trabalho, nem minha amiga esperando para almoçar, e nem a hora da sessão do cinema que está quase chegando são suficientes para desaquietar meus pensamentos. São só desculpas para me deixar mais irritada sem nenhuma motivação séria o suficiente e fazer com que os ponteiros do relógio comecem a apostar uma espécie de corrida entre si. A culpa é minha, que não quero deixar a minha mente vulnerável para que os pensamentos que quero evitar cheguem sorrateiros.

Ah, esses pensamentos. Esses medos que vez ou outra voltam para nos assombrar. Aproveitam mesmo de qualquer brecha para invadir a nossa paz, para nos deixar com dúvidas sobre as coisas mais certas, para que a gente comece a fazer questionamentos do tipo “e se não der certo?” ou “e se eu não conseguir?”.

O problema é que vez ou outra não vai ser possível conseguir evitar essas indagações. No trânsito, no trabalho, no colégio, no cinema ou em qualquer outro lugar. Elas chegam quando se menos espera, e cabe à ninguém mais do que nós mesmos conseguirmos fazer com que eles se calem. Ou afinal, é melhor acreditar no que você constrói, planeja e acredita fidedignamente ou em pensamentos que só tem coragem de aparecer quando sua cabeça está vazia e vulnerável demais para se defender?

Então, quando comecei a cogitar a dar uma chance para tirar satisfação com minha própria mente, as músicas na rádio voltaram a agradar novamente, o carro ao lado andou, e o farol abriu. Era hora de voltar a me apressar, tinha outras coisas mais importantes para a serem definidas na minha vida, coisas que me levariam a um dos lados da entrada, coisas mais importantes do que esses pensamentos covardes.

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