Sobre nossos caminhos e outras histórias

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Se não fossem as histórias imprevistas, as surpresas que tive por aí, as vezes que quebrei a cara, que caí pelo caminho, se não fossem os dias que nada fez sentido e as pessoas que também deixaram de fazer sentido para meus dias, não seria eu.

Se não fossem as brigas com meus melhores amigos, se não fosse aquilo tudo que deixei para trás, se não fosse minha constante procura por mudanças, mesmo quando imperceptíveis a olhos alheios, se não fosse essa teimosia em mostrar meu controle pelo caminho da vida e essa sensação maluca da mistura entre querer arriscar e o medo para tal, não seria eu.

Não seria eu se agisse sempre com a razão. Se não chorasse pelo medo da perda, entre outras coisas. Se conseguisse sempre fingir estar satisfeita. Se não desse risada das coisas mais idiotas. Se não sonhasse o mais alto possível e considerasse estar entre os tais piegas. Não seria eu. Não seria nem um pouco eu.

Se não fosse esse rosto que já deixou a adolescência há tempos, e esse coração que ainda não se conforma estar, definitivamente, na tal fase adulta, se não fossem as lembranças guardadas nessa mala que carrego por onde for, se não fossem os encontros que a vida colocou pelo caminho e aquele velho apego guardado, se não fosse tudo isso, e tudo o mais que ganhei e perdi, não seria eu.

 

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