Quem dera.

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Quem dera vivêssemos no mundo que nos ensinam quando crianças, onde o amor e o respeito são mais importantes do que suas próprias opiniões egoístas.

Esse não é um texto voltado para só um fato singular. Esse é um texto que tento expressar, um pouco que seja, meu inconformismo por ver a que ponto chegamos. Onde as pessoas que nem se conhecem se xingam pela internet, onde você pode ser julgado por postar uma foto fora do padrão, onde você corre o risco de ser açoitado por não gostar da mesma coisa que outras pessoas gostam. Onde mulheres que saem na rua com roupa curta ainda são vistas como algo que precisa “pagar por aquilo” e estão sujeitas à todo tipo de violência. Onde dois homens de mãos dadas podem apanhar pelo simples fato de andarem juntos na rua.

Pensávamos que, com o tempo, o ser humano também evoluiria psicologicamente e intelectualmente, mas, aparentemente estamos regredindo. Ninguém respeita mais ninguém por se sentir protegido atrás da tela do computador, ou de um perfil “fake”. Ninguém tem mais solidariedade pelo sofrimento alheio se não atinge sua própria vida. Todo mundo acha que pode falar o que der na telha porque sabe que nada vai acontecer. E todo mundo acha que precisa sempre fazer justiça com as próprias mãos para tudo, já que todos nós somos extremamente perfeitos.

Estamos formando pessoas egoístas, mentes fechadas e intolerantes para qualquer opinião alheia à sua. Estamos desrespeitando tudo aquilo que nos ensinaram quando crianças, aquela história de “amar o próximo como a si mesmo”, como até mesmo os mais conservadores possíveis nos disseram um dia.

Na prática tudo o que aprendemos é lindo e perfeito. Mas nunca vi, sequer, um menor esforço de tanta gente em colocar em prática. Ao contrário, prevejo um dia, nesse mesmo caminho, chegarmos ao limite na intolerância, da impunidade. Aí, chegaremos, então, na terra de ninguém. Onde ninguém respeita ninguém, ninguém ama ninguém. E o pior: não falta muito para isso.

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