Para deixar a inércia de lado

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A vida tem dessas mesmo. De tentar nos convencer de que pouco ou qualquer coisa já é motivo suficiente para contentamento, sem pestanejar, sem, inclusive, questionar a nós mesmos se aquele é realmente o caminho que devemos seguir.

Já acreditei muito que as coisas acontecem do exato jeito que devem acontecer, e por muito tempo isso já me foi suficiente.

Daí cheguei em uma encruzilhada, dessas que colocam na nossa frente sem nos preparar antes. Eu poderia fechar meus olhos e ir, sem nenhuma pretensão, para qualquer um dos lados.

Mas, por talvez (um pouco de sorte até), eu sou muito teimosa. Sempre fui assim. Quando eu era criança, eu insistia que o Egito era a melhor civilização antiga de todas, daí eu fazia minha mãe comprar um monte de livro sobre cultura egípcia só para que eu lesse e tivesse argumentos.

Talvez por isso eu tenha me tornado advogada. Por causa dessa minha teimosia em querer entender as coisas e convencer os outros do meu ponto de vista.

Mas, voltando àquela encruzilhada de antes, confesso que fiquei inicialmente com medo de ter que fazer uma escolha. É muito mais fácil continuar inerte à vida. Se tudo der errado, a gente pensa que poderia ter sido pior e assim garantimos o alívio para qualquer resquício de algum sentimento de culpa.

Mas, também de olhos fechados, preferi e prefiro todos os dias agora escrever um capítulo diário.

Eu tenho medo sim, sempre terei, sempre ficarei com medo de tomar a responsabilidade de tudo isso para mim. Mas eu, teimosa, quero convencer a vida de que estava certa, de que ela estava nas minhas mãos, e não o contrário. E se der errado, eu estarei de cabeça erguida para assumir que tentei, que estive no comando mas falhei. E não desistirei, porque é assim que as coisas devem ser.

Me desculpe aqueles que não acreditam no que estou dizendo, ou que acham que tudo isso é balela de uma menina recém chegada à fase adulta. Mas eu sempre tive medo de chegar lá pelos meus 80 anos, olhar para trás, e não ver nada. Só ver inércia. Só ter esperado e esperado chegar a algum lugar.

O Zeca que me perdoe, mas dessa vez quem vai levar a vida aqui sou eu.

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2 Comentários

  1. Texto ótimo Carol !
    Também correspondo desse sentimento de ter medo da inércia, de chegar lá na frente e ver tudo que eu podia ter feito e não fiz, arriscado e não arrisquei, vivido e não vivi. Por isso se hoje tenho a oportunidade de viver uma aventura louca, vou lá e arrisco, se quero falar algo vou lá e falo. Sei que algumas coisas demandam pensar um pouquinho antes de serem feitas, mas acho que algumas vezes você só tem que seguir o fluxo, e deixar seu coração falar mais alto que os pensamentos negativos e as pessoas negativas e que já se acomodaram. Sei que apesar de sonhos não terem datas de validade, nós não devemos deixá-los pra depois quando podemos realizá-los agora e não deixar que eles fiquem esquecidos na rotina, na comodidade.
    Mais uma vez tô aqui pra dizer que você é inspiradora, pra dizer pra você continuar a correr atrás dos seus desejos e me inspirar a também correr atrás dos meus .

    Abraços Carol

    • Falou exatamente tudo o que penso Ingrid. Obrigada pelo seu carinho de sempre! Vc melhorou minha semana com essas palavras 😉
      Beijos e volte sempre!!

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