O que os quase 25 me ensinou (e ainda está ensinando)

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Não entendia porque esse tal dos 25 anos sempre foi tratado como um tipo de marco ou tabú pela maioria das mulheres. Agora eu entendo.

Não sei vocês, mas eu ainda sofro com um conflito interno em relação à minha idade, refiro a mim como “menina”, mas tenho consciência de que já sou mulher (pelo menos, é o jeito como me enxergam). Sempre tive um certo receio de entrar de cabeça na vida adulta, da rotina do trabalho, de pagar contas, de chegar em casa cansada. Mas entrei. Sem nem me perguntarem direito o que eu queria da vida, me puxaram pra essa tal maturidade que nem quiseram saber se eu estava preparada ou não.

E entrei tão depressa nessa nova realidade, que não sei ao certo qual foi o ponto de partida. Faculdade? Trabalho? Contas chegando? Não sei dizer o que exatamente marcou essa transição, mas assim, de um dia pro outro, percebi que não tenho mais o mesmo pique de antes, que os momentos que posso ficar em casa dormindo ou vendo televisão são sagrados, que minhas amigas estão casando e outras até engravidando, enquanto mal consigo juntar dinheiro para pagar meu cartão de crédito e cuidar do meu Pou no celular.

Aliás, falando em relacionamentos, essa fase nos traz uma mistura de impaciência com tolerância que fica difícil entender. Quando estamos em um relacionamento, acabamos relevando tantas coisas que antes nos faríamos mandar mentalmente a outra pessoa para aquele lugar  sair da sua vida, mas, por outro lado, em outros momentos, deixamos escapar que nossas manias individualistas já estão aparecendo, e tomamos aquela velha atitude de gente “cri cri”, se vocês me entendem. Fora a isso, as pessoas aparentemente despertam o relógio que as fazem te encher de perguntas sobre casamento, planos futuros, filhos, e esquecem que você também tem direito à privacidade (sabe, aquela coisa garantida até pela Constituição Federal?).

Se você for solteira (contra sua vontade – ou não), por mais independente e focada somente na sua realização que você possa ser, passará por uma tarefa difícil (até demais). As suas amigas que te acompanhavam de sexta feira a noite simplesmente sumiram, e você não vê mais graça em ficar saindo para conhecer gente na balada. Os sábados são comendo pizza com nossos pais ou, no máximo, aproveitando um churrasco junto com seus amigos mais chegados (3 casais e 2 indecisos). Você começa a ficar mais na sua, refletir sobre a vida, pensar sobre a possibilidade de talvez não existir alguém legal que te faça feliz ou que te suporte, e já vê claramente a sua imagem no futuro cercada por oito gatos (felinos mesmo). Sério, pensar em se tornar a louca dos gatos é algo desesperador.

Os 25 anos nos trazem questionamentos que antes nem pensavam em se passar por nossas cabeças. Essa coisa de chegar perto do 1/4 de século nos faz pensar se tomamos ou não as escolhas certas até aqui. Se ainda dá tempo para mudar ou se já é tarde demais. Mudar de faculdade (que é o que estou particularmente passando) é uma tarefa tão complexa que te deixa atordoado. As pessoas que vão estudar com você são, pelo menos, 5 ou 6 anos mais novas, eles falam sobre bandas que você não conhece, vão a lugares que você não frequenta há anos, e estão mais preocupados em twittar alguma coisa do que arranjar dinheiro para pagar aquela bota que parcelou em 4 vezes no começo do inverno (já que seus pais não veem mais cabimento em te dar qualquer tostão).

Ah, essa idadezinha… chegou tão rápido, sem nem dizer olá, sem nem me convidar para um café. Ainda sinto saudades de quanto meus regimes funcionavam mais rápidos, de quando meu corpo não saia todo dolorido da academia, de quando as preocupações do dia se resumiam em entrar no MSN e fazer a lição de casa.

Não estávamos preparados para chegar tão rápido à tal da fase adulta. Mas aqui estamos, e aqui ficaremos por mais um bom tempo. E aqui, meus amigos, cabe aquele velho ditado: “se não pode contra ela, junte-se à ela”.

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5 Comentários

  1. Ingrid Pinheiro em

    Caramba Carol. Que texto incrível . Em muitos momentos se não todos me senti você . A única diferença é que eu ainda tenho só 18 anos perto dos 19. E não sei dizer se é bom ou não ter questionamentos parecidos com os seus que já esta perto dos 25 . Me perguntando se as escolhas que eu fiz foram certas, se eu devo seguir nesse caminho ou mudar tudo. Se quando eu tiver 24,25 quem eu vou ser?! Vai dar tempo de ser feliz? Será que alguém vai aparecer, será que não . É estranho e confuso. As vezes me acho nova demais ora tantas questões . Mas é de certa forma reconfortante saber que alguém se sente parecido com você . E que podem se ajudar. Belo texto mesmo!

    • carolsassatelli em

      Ingrid, quando tinha sua idade já tinha muitas dessas questões já.. se estava na faculdade certa, q carreira seguir, sobre relacionamentos, e um monte de outras coisas. Acho que nunca vamos nos livrar totalmente dessas perguntas viu? O negócio talvez seja conseguir sempre pensar no que te faria mais feliz e se encaixaria melhor no teu mundo.. E tempo de ser feliz a gente sempre tem, só temos que encontrar o caminho 😉
      Obrigada pelo comentário!!!
      Beijos

  2. Mas maço você com 25 aninhos de vida já está preocupada com isso, fica não boba, já viveu tanta coisa, já quebramos tanto a cara, já caímos e levantamos tantas vezes, o bom foi isso aprender, amadurecer e ainda assim curtir uma diversão na vida, mesmo que essa “diversão” tenha mudado de programa e estilo de vida, no mais estou completando agora 24 aninhos (huhu), não está fácil pra mim,mas já conquistei muita coisa: formado, concursado, morando sozinho em outra cidade…distante de tudo, outro tipo de gente, está sendo dolorido e tals. E aí que conheci a realidade “egoísta ” das pessoas e aprendi a não confiar e a não se doar por inteiro. Seja simpático, aberto e positivo, mas não entrega a sua felicidade na mão de ninguém, porque poder é algo que corrompe as pessoas. No mais vamos VIVER e AGRADECER pelas oportunidades. 😉

  3. Nossa incrível esse texto . me identifiquei muitoooo msm, principalmente na parte ”que minhas amigas estão casando e outras até engravidando, enquanto mal consigo juntar dinheiro para pagar meu cartão de crédito e cuidar do meu Pou no celular”. muito eu!!! adorei ^^

  4. Também me identifiquei muito com o texto mas num ponto de vista masculino rs , parece minha alma gêmea com esses pensamentos e com o que já viveu até aqui, estou identificado e apaixonado pelas suas palavras e por você . Parabéns.

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