O que a Copa do Mundo de 2014 me ensinou.

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É realmente muito difícil passar por essa semana sem nem sequer citar sobre a Copa do Mundo 2014, que está chegando ao fim agora nesse próximo domingo.

Eu nunca fui a pessoa mais entendida de futebol da face da Terra. Ainda sei dar aquela enrolada para prosear durante uma conversa de bar, faço alguns comentários que até podem te enganar em achar que eu realmente sei o que é impedimento sem que a televisão mostre no replay. Mas não se engane, eu não sei quase nada. Mas cara, nessa Copa do Mundo, eu me senti como a maior torcedora do planeta.

Confesso que não achava que a Copa aqui no Brasil daria certo. Pensei que seria um desastre total, uma vergonha, caos aéreo, sequestros dos gringos, uma loucura desmedida. E surpreendentemente eu estava engana, e a Copa (pelo menos quanto à organização), superou minhas expectativas. Sabe o que é melhor? Poder ter a CERTEZA de que o nosso país possui sim estrutura para aguentar qualquer tranco, para dar uma atenção especial ao controle da violência e à propagação da nossa cultura. Onde será que esses esforços ficam escondidos quando estamos no dia a dia? Quando não tem gringo pra ver? Eis a dúvida.

Nesse meio tempo eu sai na rua com meus amigos, vi alemães, italianos, franceses, nigerianos e outras tantas misturas juntas, se divertindo, interagindo com todos, gostando do que estava vendo, confirmando que a capital do nosso país não é Buenos Aires (como MUITOS ainda acreditam), e que aqui não tem só florestas e carnaval, mas um mix de tudo. E isso me encheu de orgulho. Sabe aqueles momentos que você bateria no peito e cantaria com olhos marejados que é brasileiro com muito orgulho e com muito amor? Eu senti na pele essa vontade. Essa união entre povos independentemente da cor, classe social ou histórico. Aprendi que a gente não precisa ter vergonha do nosso país, do nosso povo. O melhor do Brasil são os brasileiros! E nós, brasileiros, temos que levar esse país adiante, temos que fazer com que ele continue nos dando orgulho.

Quanto à derrota vexaminosa do Brasil, é difícil realmente traduzir o sentimento que passou e ainda arduamente passa por minha cabeça. Aquele momento de esperança levado ao desespero e total indignação em minutos! E mesmo, depois de levar sete gols em casa, pude presenciar aplausos à nossa seleção, apoio ao nosso país. Eu tenho realmente pena (que sentimento feio, né?) de quem fala que o Brasil é pior ou melhor por causa de resultados de jogo de futebol. Mesmo em derrota, aprendi que a gente tem que sair de cabeça em pé, que sempre teremos novas oportunidades para alcançar nossos sonhos.

Não posso afirmar com convicção que nenhuma daquelas teorias conspiratórias de venda da Copa ou qualquer coisa do tipo é mentirosa. Mas eu quero acreditar que não, quero acreditar que eu vivi e presenciei a melhor Copa da minha vida, a Copa que ficará para a memória de tanta gente (de tantas formas também).

Se pudesse dar um conselho a vocês, seria que não misturassem política com nossa tradição futebolística. O vexame que passamos com o resultado contra os alemães realmente não chega nem aos pés dos vexames diários que presenciamos quando vemos atos de corrupção de nossos políticos (o que parece ter se tornado “comum” inclusive), com pessoas morrendo nos hospitais, falta de estrutura nas escolas, abandono de nossas crianças, juros e tributos que crescem a cada minuto mais! Não deixem de assumir suas parcelas de responsabilidade pelo descaso que nosso país está sofrendo, porque quando passa a propaganda política, desligam a televisão, e acabam votando no que está mais “em alta”.

A verdadeira vitória será nossa quando revertemos essa situação, o que é feito nas urnas, o que é feito com pressão da população, e o que não pode esperar mais 4 anos para ser atingido. Honremos nosso hino, e que possamos mostrar que realmente não fugiremos à luta.

Enquanto isso, deixemos nosso sonho de sermos Hexa, finalmente, para quem sabe uma gelada Rússia em 2018. Avante, Brasil!

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