O dia que a gente percebe que a vida é tão rara

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Eu não entendia o valor da vida. Até agora. Até perceber que são aqueles momentos que nos pegam de surpresa que valem a pena. Aquelas risadas que te fazem chorar de rir mesmo sem saber o porquê.

Mesmo com aquela brisa do vento passando pelo meu rosto e arrepiando minha espinha como se fosse um toque delicado do universo para me lembrar que eu estou aqui e faço parte dele. Mesmo que seja um sorriso do padeiro quando agradeço o pão quentinho ou o olhar agradecido para quem seguramos a porta do elevador.

A vida é tão simples e ao mesmo tempo tão genuinamente espetacular para que a gente ocupe espaço entre ela com coisas que não valem realmente à pena.

Sei que, às vezes, temos dias com o poder de nos desanimar totalmente e, às vezes, esses dias se espalham por semanas ou meses. Mas quer saber de uma coisa? Essas coisas são necessárias. Esses dias sombrios me fazem olhar qualquer raio de sol que passa pela fresta da minha janela como um verdadeiro acontecimento.

A gente perde tanto tempo tentando enxergar futuras oportunidades e possibilidades que acabamos esquecendo de olhar para nós mesmos e ver se, realmente, estamos fazendo valer a pena o tempo que estamos de bobeira por aqui. Se estamos indo atrás do que queremos de verdade, porque ela é rara demais para simplesmente “deixar para lá” e sair por ai com sorrisos amarelos sobre realidades que não nos são suficientes. Se estamos conseguindo olhar e realmente ver tudo que temos em nossas mãos hoje, as pessoas que amamos, as coisas – por menores que sejam – que nos fazem felizes daquele jeito de sorriso largo e bobo.

Está na hora de deixar a luz chegar aos seus olhos também, para que você possa perceber que, tudo que importa de verdade, cabe (da forma mais piegas possível falando – e sem me importar com isso), no seu olhar e no coração.

 

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