O amor não precisa de Waze. O amor precisa é de vontade.

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Me surpreendi essa semana com um texto que li na internet e que dizia que, no meio de tantos aplicativos de relacionamentos que vem surgindo a cada dia, precisávamos, na verdade, de um “Waze do Amor“. Como o original, esse aplicativo nos indicaria o caminho certo, a rota que cada um em uma relação está pretendendo seguir, e em quanto tempo chegaria ao seu destino (no caso, términos, casamento, namoro eterno etc etc). Ainda, avisaria sobre problemas no caminho, e nos deixaria prevenidos de qualquer surpresa desagradável (ou agradável, que seja).

Desculpe-me os precavidos, mas eu não acho de verdade que viver em um relacionamento onde não haja surpresas e que a rota/destino esteja previamente detalhado e traçado seja a opção mais saudável para quem quer viver uma relação de verdade.

Em minha pouca idade, garanto que já quebrei a cara muitas, muitas vezes, mas eu não mudaria exatamente nada do que passou, e sabe por quê? Porque todos os deslizes, perigos e outras pedras que passaram no meu caminho me ensinaram muita coisa e construíram o que eu penso hoje, me ajudaram a criar “anticorpos” para muita coisa que eu nunca esperaria ter passado. Tudo isso me ensinou a ser uma pessoa mais pé no chão, e, principalmente, a viver e aproveitar os bons momentos, porque meu amigo, eles podem acabar (do dia pra noite, por sinal).

Nada é melhor do que o gostinho de ser surpreendido quando você está começando a se envolver com outra pessoa. Quando você não dá nada para aquela relação e tem certeza que ela chegará rapidamente ao fim, mas esse dia final vai se postergando, o apego vai aumentando, os sorrisos vão aparecendo com maior frequência, e a vida te mostra que seus planos iniciais estavam totalmente equivocados.

Claro que, às vezes, a gente está esperando que o negócio flua, que aquele namorico dure por anos e anos e quando você vê, chegou ao fim num piscar de olhos porque você estava completamente enganada sobre aquela pessoa e/ou sobre suas intenções. Mas, de verdade, quem nunca se enganou? Ou quem nunca começou alguma coisa querendo x, e depois viu que y era a melhor opção? Quem já não começou uma relação achando a pessoa o máximo e depois de pouco tempo tinha pego aquele velho bodinho só de receber um whatsapp do outro?

Não acho que surpresas no caminho de uma relação seja algo ruim. Se você conhece uma mulher que está procurando o altar, o que te impede de que você perceba depois de um tempo que “CARA, mas eu também quero casar com essa mulher!”.

As opiniões mudam. As visões de mundo mudam. E tudo isso interfere nas relações que temos não só com ficantes ou namorados, mas também com amigos e familiares.

Não tenha medo de surpresas, não tenha medo de se machucar. É errando que a gente acerta. E é com o inesperado que a gente aprende a agir. Não queira viver uma história que já foi contada com começo, meio e fim. É seu direito se dar a liberdade de escrever o seu próprio final.

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5 Comentários

  1. Olá Carol.
    Tudo bem?

    Não sou dado a comentar esse tipo de texto, mas vou comentar esse, pois realmente achei bastante interessante.

    Concordo com o que você escreveu, e eu realmente fico assustado com os “rumos”, digamos assim, que essa questão dos relacionamentos vem tomando hoje em dia, principalmente com o advento dessas tecnologias.

    Sempre fui avesso a esse tipo de coisa, e acredito que boa parte desses métodos tecnológicos, no caso do Tinder, por exemplo, só contribuem para relacionamentos vazios, coisas de momento e sem profundidade. Claro que é possível encontrar alguém legal através deles, mas sinceramente, penso que é bem difícil. Via de regra o resultado é decepcionante. Salvo para pessoas que só procuram mesmo, uma coisa de momento.

    Em relação a aprender com os erros e as crises de um relacionamento (presente ou passado) é verdadeiramente uma máxima absoluta e inegável. Já ouviu aquela colocação da Penélope Cruz, em que ela diz: “Não existem experiências negativas, todas as experiências são positivas, pois sem sombra não pode existir luz”? Acredito que isso se encaixa, de certa forma, nisso que você expressa no seu texto. A vida é um aprendizado constante, incessante, e cada relação, seja ela de amizade, de trabalho, ou de amor, nos traz ensinamentos que agregam coisas indissolúveis para toda a nossa vida, nos transformando em pessoas mais preparadas para as coisas futuras. Aprender, mesmo com aquilo que nos magoou ou causou profunda dor é condição essencial para nossa evolução como seres humanos.

    É bem legal essa passagem, quando você diz: “Claro que, às vezes, a gente está esperando que o negócio flua, que aquele namorico dure por anos e anos e quando você vê, chegou ao fim num piscar de olhos porque você estava completamente enganada sobre aquela pessoa e/ou sobre suas intenções”, são as “mutações” dos seres humanos, é bem aquilo que o Nelson Rodrigues diz, a beleza, só conta nos primeiros 15 dias, depois ela vira fator absolutamente secundário. Muitas vezes, a beleza (sei que talvez não tenha sido esse o sentido que você fez a colocação) nos engana, e mesmo o comportamento inicial de uma pessoa, pode nos ludibriar, mostrando uma coisa que ela não é, e depois percebemos que aquela pessoa que nós achávamos o “máximo”, na verdade era uma singela porcaria.

    Mais uma vez, bem legal o seu texto.

    Assim que eu puder vou ler os outros.

    Abraço.

    • carolsassatelli em

      Gail, muito obrigada de verdade por seu comentário! Concordo com o que você escreveu, pois, percebi que você conseguiu absorver o que quis passar com esse texto. Concordo que as tecnologias realmente fazem com que as relações, no geral, se tornem rasas demais, porque (na minha opinião) e principalmente, as pessoas acabam se preocupando mais em MOSTRAR que estão felizes, que tem alguém, que não vivem o relacionamento de verdade. Quanto ao tinder, infelizmente a maioria inquestionável que lá está só quer uma coisa (um momento, uma noite, nada demais). Mas, com um empurrãozinho do destino (se esse existir mesmo) sou a prova viva de que tem uma possibilidade de encontrar algo bacana no seu caminho (o meu relacionamento tá chegando ao primeiro ano agora! uhul!).
      Muito obrigada DE VERDADE pela sua visita, por seu comentário e espero te receber mais vezes aqui!
      Beijo!

    • Vontade indômita? Hahahaha

      Você acertou, porem, só acertou parcialmente. Eu tirei esse nick, mas não foi do filme, e sim do livro em que o filme foi baseado, “A nascente”. Tenho muita curiosidade, mas ainda não tive a oportunidade de assisti-lo. Mas o livro é excelente, um dos melhores livros que eu já li na minha vida. Uma verdadeira obra prima. Inclusive, você que curte jornalismo deveria lê-lo, pois no enredo do livro o elemento jornalístico esta presente. O Gail Wynand é um magnata da imprensa. A autora, Ayn Rand, baseou a criação dessa personagem no lendário William Randolph Hearst, já ouviu falar dele? Ele é aquele cara retratado no filme “Cidadão Kane”.

      Adoro esse livro e principalmente o Gail Wynand. Eu queria ser um cara assim, tipo o Gail… rs Acho interessante varias personagens desse livro, a Dominique, o Toohey, o Roark, mas o Gail é incomparável, ele sim é o cara… rs

      Recomendo este livro pra você. Eu percebi que você escreve muito bem, portanto deve provavelmente gostar muito de ler. Se você se interessar leia esse livro. Além disso, a historia mostra muito a realidade das relações humanas, do jogo de interesse, das aparencias, da hipocrisia etc. Recentemente a editora arqueiro lançou uma nova edição desse livro, mas se você não quiser comprar, pode pega-lo na biblioteca central do Mackenzie, ele esta na parte inferior de uma prateleira de alumínio, no lado direito do ultimo bloco do ultimo andar da Biblioteca central do Mackenzie. É um livro de capa dura, marrom… rs

      Isso que você falou: “…e principalmente, as pessoas acabam se preocupando mais em MOSTRAR que estão felizes, que tem alguém, que não vivem o relacionamento de verdade. ”.

      Nesse livro a Ayn Rand trata disso inclusive, da vida de aparências, de viver para os outros e não para si próprio.

      Vou ler mais dos seus artigos, ai eu comento.

      • carolsassatelli em

        Você acertou! Gosto muito de ler, tô montando, inclusive, uma mini biblioteca na minha casa. Vou procurar o livro “A nascente”, esse nunca li! 🙂
        Espero que goste dos outros também e espero sua opinião!
        Beijo!

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