Nos aqui estamos, por vós esperamos

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Mudou. Sim, eu sei que mudou. As pessoas não pensam mais da mesma forma, os sonhos não são mais os mesmos, e o comodismo agora é geral. Se tem tudo muito fácil, as informações chegam desmedidas, as pessoas se conhecem sem nem estarem no mesmo continente, e de tudo isso, acredito (na minha humilde opinião), fez com que os sonhos das massas se resumissem a pó.
Não que não tenhamos vontades, mas nossas vontades são tão mais rasas que não consigo mais enxergar o desejo de conseguir mais, que era tão nítido naqueles anos atrás.
O que mais me incomoda é que nem mesmo a chance de poder sonhar alto também eu tive. E o que me incomoda, mais ainda, é que o inconformismo quando surge, aparece por motivos de “piadas de comediante fulano de tal na televisão” ou “rede social x que ficou fora do ar por tantos minutos”.
Saudades de uma realidade em que não pude viver, onde havia uma “inocência” entre as massas, onde se achava que em 50 anos os carros voariam, e que o homem iria conseguir voar, assim como os pássaros. É triste ter perdido esses desejos (os quais, mesmo que impossíveis, ou pouco prováveis, formavam uma sociedade em que se queria mais, se queria ir além, se queria desejos profundos, e nada de superficial.
Quem sabe algum dia eu acabe me acostumando com essa realidade que não fui preparada, que me foi imposto sem nem ao menos perguntar. Quem sabe, por outro lado, aprendemos que a vida é mais do que compartilhamentos e curtidas, mais do que 140 caracteres, mais do que relações superficiais com 500 ou mais amigos dos quais você mal conhece de verdade 10. Quem sabe alguns princípios dos nossos ancestrais voltem às nossas cosciências, que a inocência de alguns desejos retornem, e possamos também querer mais, mais do que todo esse abismo, aparentemente abarrotado de conquistas, mas vazio de valores.

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