No fundo somos nós.

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Não é que a gente muda. Ninguém muda de fato, por inteiro. No fundo sempre somos os mesmos, só que às vezes com gostos diferentes, e com vibes diferentes das que estávamos antes. Isso não é sempre necessariamente ruim, mas de qualquer forma, assusta – principalmente aqueles que tem maior convívio conosco.

Mudanças são percebidas facilmente, e não sei porque ainda tem quem insista naquela velha ladainha do “nada aconteceu”. Pode, realmente, não ter acontecido nada concreto, mas a gente sofre, ao longo do tempo, diversas influências que nos alteram e é preciso enxergar e – principalmente – admitir essas divergências comportamentais do que éramos há alguns meses e do que somos agora.

Eu, na minha gigante pequenez diante desse mundo tão cheio de possibilidades, não acho totalmente inválidas as mudanças que sofremos. Aliás, eu acho que o charme das pessoas estão na sua inconstância, na sua variedade dentro de tantas possibilidades, e tenho isso em mente por me identificar com elas, por eu mesma ser uma inconstante assumida. O ponto, na realidade, não é só o fato de ter outras visões sobre as mesmas coisas, ou outras vontades, outros sonhos, mas no fato de que, constantemente devemos equilibrar na nossa balança pessoal se tudo aquilo ainda faz sentido e vale a pena nas nossas vidas.

Quando o que antes parecia certo, e agora não é mais tão convergente assim, às vezes pode não ter acompanhado as suas novas filosofias, e o primeiro passo, então, é conseguir admitir isso: não, não se encaixa mais na minha realidade. Foi bom, desculpa, adeus. Mas quando, mesmo com as mudanças, mesmo com as novas euforias, nossos achismos e desejos aquilo ainda é sonoro ao nosso mundo, então, o que a gente não pode esquecer, principalmente em um relacionamento, é que o tempo não faz ser justificável ficar de corpo mole, que surpresas são sempre bem vindas, que mesmo os sentimentos mais certos às vezes se esvaziam com maior facilidade do que foram formados, e acabamos perdendo entre os dedos parte de nossas verdades, que ainda permaneciam realmente como verdades.

O que de fato devemos nos lembrar é que os meses e anos vão nos mudar de qualquer forma quanto às nossas vontades, mas que no fundo, sempre seremos os mesmos, com a mesma índole, os mesmos medos, e se a gente continua desejando algo durante todo este tempo, então cabe à nós encaixar isso tudo na nossa nova visão, e não esperar que fique adaptável à nossa boa vontade.

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