Nem sempre faz sentido. E está tudo bem.

3

Passo o dedo para a esquerda. Para a esquerda mais uma vez. De novo para a esquerda. Estou aqui deitada na minha cama esperando o sono vir enquanto zapeio pelo Tinder a procura de algum perfil que faça um pouco de sentido para mim. Engraçado que isso acontecia com mais frequência e os likes e matches eram mais comuns. Isso antes. Antes de você. 

Nos conhecemos despretensiosamente lá pelo mesmo aplicativo. Era uma noite de quarta-feira em uma semana que, coincidentemente, eu estava na cidade. Você me deu um super like. Eu fui contra todas as minhas convicções e preconceitos sobre quem se utiliza da estrelinha azul e dei o like de volta. Éramos match. 

A conversa fluiu desde o início. Falamos sobre todas as nossas coincidências e tudo mais e, aos poucos, a gente foi quebrando aquele gelo de começo de papo, quando tá todo mundo desconfiado sobre quem está ali do outro lado da tela. Mas confesso que senti uma coisa boa vindo de você. Aquela famosa “energia” que de vez em quando a gente relembra. E foi aquela coisa que me fez topar sair contigo no dia seguinte mesmo depois de 30 minutos de conversa. Parecia loucura. E talvez fosse. Mas se não fosse louco assim, não seria a gente. 

E digo isso com convicção. Isso porque parecia, na verdade, que a gente já se conhecia há tempos. Gostava de ver você contando sobre suas aventuras pelo mundo ou falando sobre suas bandas favoritas. Seu sotaque me cativava e chamava minha atenção. Vez ou outra eu deixava escapar um sorrisinho quando você puxava o “r” de um jeito engraçado. A gente gostava das mesmas coisas e das que não conhecia, acaba gostando também. Unidos pelo signo, pelos gostos e por alguns copos de cerveja, nosso abraço ter se encaixado parecia ser tão óbvio quanto ao nosso beijo. E foi. Foi ótimo. 

Era tranquilo e leve. Tão leve que, uma hora, a gente percebeu que as coisas estavam indo rápido demais. E não era só pela velocidade, mas pelo timing. Eu queria ficar com você. Você não queria ficar só comigo. Nem tudo é exato e fácil como a gente acha que tem que ser e nem tudo faz sentido nessa nossa conta de “eu gosto de você, você gosta de mim, podemos ficar juntos?”. Não é sempre que as pessoas estão na mesma página e tudo bem. Entre tantas coincidências, tínhamos essa enorme diferença. Talvez a maior de todas. Mas isso não era culpa de ninguém.

Por isso, por termos tudo parecido, menos o timing, continuo aqui nesse cardápio humano de olho nos rostos que me aparecem. Passo para a esquerda. Esquerda. Um para a direita só para não me sentir tão implicante assim. A cada virada pro lado me dá a sensação de estar fazendo algo totalmente sem sentido. Mas como explicar pro coração que nem tudo faz sentido mesmo? Tá tudo bem. Eu tô bem. Você também. Assim a gente vai levando e, quem sabe, se esbarra por aí outra vez.

Te conhecer foi bom. Ainda é. E nesse turbilhão de coisas que aconteceram, senti um sentido em muito tempo e foi bom porque me fez perceber que eu ainda sinto algo aqui dentro. Percebi que ainda funciono. Posso não ter funcionado totalmente dessa vez, mas você me ajudou colocando óleo nas minhas engrenagens. E com essa comparação idiota eu deixo aqui o meu obrigado. Obrigada por aquele superlike e pela cerveja na quinta-feira, pelos abraços, beijos e músicas. Pelos filmes e abraços e carinho na face da mão. A gente se vê por aí.

Quem sabe.

Compartilhe.

3 Comentários

Deixe um comentário