Não se aceita migalha de pão como pagamento.

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Uma coisa é fato: hoje em dia está cada vez mais difícil não ser passado para trás. Não só em relacionamentos, mas também nas relações de amizade (ou “amizade”), no trabalho e em várias outras situações do nosso dia a dia.

É triste esta constatação, porque demonstra que a cada dia as pessoas estão cada vez mais pouco ligando para o que a outra sente ou pensa. Estamos cada vez menos nos importando se vamos iludir, mentir ou magoar os outros. E sabe qual o resultado disso? Auto estimas lá no chão.

Pois é, ao invés de ressentimentos tornarem as pessoas mais fortes, à procura daquele famoso “coisa melhor”, nós acabamos ficando conformados com o que temos na mão mesmo, com os amigos que não nos valorizam, com os amores que nos enganam, e, como em um efeito dominó, o esforço para melhorar vai por água abaixo em favor de facilidades e empurrões com a barriga.

Junta-se tudo isso e formamos então uma sociedade de pessoas de baixa auto estima, carentes de atenção, descrentes em relacionamentos e cansadas para encontram alguém que realmente se encaixe de verdade com suas ideias, amores, dia a dia. O próximo passo é entrar em relacionamentos furados e infelizes, que geram reclamações diárias quase que instantâneas, mas que, na balança, são mais convenientes do que as sextas feiras sozinhos vendo televisão ou do que a falta de companhia para ir ao cinema.

Não sei quando foi que as pessoas começaram a aceitar esmolas ao invés de relacionamentos concretos. Não sei quando foi que o “melhor isso do que nada” começou a ganhar espaço em coisas tão importantes como o nosso convívio diário uns com os outros. Mas de uma coisa eu sei: isso não está certo e precisa mudar. A começar por nós mesmos, a começar por nossa auto estima, nosso amor próprio. Se a gente não se valorizar, tenha certeza que ninguém mais no planeta fará isso por nós. E, cara, como é ruim se sentir um lixo. Todo mundo sabe exatamente como é se sentir assim pelo menos por uma vez. Imagina, então, tornar este sentimento diário, constante e normal na sua vida?

Ninguém merece viver de migalhas. De amizades que só são de verdade quando se tem interesse. De relacionamentos com um milhão de enganações e mentiras que a gente finge acreditar (ou que não admite para si mesmo que está sendo enganado). De diariamente saber que não pode confiar em ninguém, de não ter certeza se as palavras são verdadeiras. Ninguém merece não se valorizar a ponto de achar que  aquilo só já é bom o suficiente.

Não, minha gente, as coisas não são assim. Quem tem que ficar lá no topo do pedestal somos nós mesmos, e quem for bom o suficiente para ter o nosso convívio que escale montanhas para chegar até lá. Não somos nós que devemos descer. Entenda uma coisa: migalhas não servem para nada, não enchem nenhuma relação e se esvaziam no vento. Cada vez que fechamos os olhos para mentiras, enganações e desconsiderações, estamos aceitando pó, estamos nos jogando lá no chão e falando “beleza, pisa ai que eu aguento”. Aguentar, muita gente aguenta, mas por quanto tempo?

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