Não pense que eu.

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Não pense que me engana com esse seu sorriso fácil e palavras rebuscadas. Não pense que eu espero realmente alguma coisa, mesmo que qualquer reciprocidade, vinda dos seus gracejos vis. Não pense que sou como as outras mulheres com quem você se acostumou, que se derretem com seu deboche da vida, com suas piadas para tomar à si os holofotes de onde estiver.

Não pense que eu já não fui uma delas, que não aprendi a lidar com todos os tipos possíveis de decepções remediadas com músicas tristes no Ipod e baladas desenfreadas e desesperadas para apagar qualquer vestígio de dor.

Não pense que te entregarei, assim, de bandeja, a fórmula da minha essência, dos meus anseios, dos meus medos. Precisa muito mais do que meia dúzia de frases bonitas e olhares provocativos para que eu te entregue os meus segredos. Por trás dos meus sorrisos sem graça em resposta às suas futilidades, fico escondida e protegida desse tipo de invasão não pedida.

Não pense que quando você passar por aquela porta, eu ficarei pensando sobre o que fiz ou não de errado entre nós. Porque, meu querido, se você quer começar esse tipo de joguinho sujo, já te aviso que não tenho habilidade e nem paciência para fingimentos. Não pense que acreditarei nas suas frases já repetidas entre dezenas de ouvidos diferentes. Já te aviso, logo de cara, que se quer mesmo chegar à uma resposta factível para o tipo de pessoa que sou, você precisará mais do que um punhado de xavecos furados e etiquetas em suas roupas.

Sou desse tipo de pessoa que não entrega o jogo até que todas as tentativas de jogadas sejam tomadas. Então não se acanhe. Jogue comigo. E daí a gente vê o que você pode ou não pensar.

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