Me deixa te tirar de dentro de mim

0

Então é isso. Acho que o pouquinho de “nós” ou sei lá o que poderia ter existido ou existiu, mesmo que por um breve momento, chegou ao final. Lembro de quando a gente se falou pela primeira vez, como se já nos conhecêssemos há tantos anos, com qualquer assunto fluindo facilmente e nossos piores segredos parecendo bobagem de criança. Agora estou aqui olhando para a tela do meu celular, sem saber realmente o que te responder, porque sinto que, no fundo, só estou perdendo meu tempo. E é bem provável que eu esteja mesmo.

Esse cara que está falando comigo não é a mesma pessoa que conseguia arrancar facilmente os meus sorrisos e as mais secretas confissões. Não é o cara que eu sempre me interessava em saber mais e, nem de longe, o cara que eu passei noites entre risadas e amores inesgotáveis debaixo dos lençóis. Eu não sei quem é esse cara, porque acho que não sei mais onde está a menina que você conheceu há um tempo.

Esse é só um cara que não se importa em falar qualquer coisa, mesmo que me magoe, que dê um tapa no meu ego e jogue na lata do lixo aquele sentimento de “calma, ele ainda deve estar aí escondido em algum lugar”. Eu me sinto uma experiência científica com você, como se todos os meus limites estivessem sendo testados. Como se você tivesse prazer em saber até onde eu sou capaz de ir. E, meu querido, meu limite passou há tanto tempo que já nem o enxergo mais.

tumblr_lwr1rksXXo1qcbpcqo1_500

Hoje você me mistura entre os seus troféus, entre as pessoas que daqui uns anos nem vai se lembrar mais o nome. E eu te coloco na estante de quem parecia ser único, mas que só se mostrou ser mais alguém que passou pelo meu caminho. E fico aqui, olhando para os meus souvenires, tomando coragem para, algum dia, finalmente me livrar de todos eles, repetindo o mantra do desapego para mim mesma e tentando me convencer de alguma forma.

E não se engane achando que eu não vou lembrar de você, porque, infelizmente, a minha memória é ótima para guardar cada decepção que tive. Não, não será pelos seus beijos, nem pelas suas histórias engraçadas, nem pelo nosso jeito comum, mas sim por tudo aquilo que podíamos ser e nunca fomos. Eu e essa mania de imaginar que a vida deveria ser que nem aqueles livros que você lê até o final em um dia e quer logo a continuação, não é mesmo?

Talvez eu deveria imaginar que, quando você ria dos meus planos, era só porque achava tudo muito confuso para se incluir neles. Não tem problema. Eu realmente me acostumei a viver em uma confusão. Uma mistura de sentimentos, sonhos, vontades, desejos e uma pitada de tombos levados pela vida.

Mas, enfim, agora já são quase quatro da manhã e nem sei há quanto tempo estou gravando essa mensagem ou se a sua secretária eletrônica já desligou. Não sei se você vai querer me ouvir até o final, já que hoje mal se interessa em me ouvir pelo começo.

Só queria te dizer que foi bom enquanto tudo parecia fazer sentido, mas que agora você acabou de se tornar mais uma confusão perdida na minha coleção. Então, por favor, pare de me mandar mensagens de vez em quando, de me alimentar com vontades, de achismos, de falar sobre meu jeito único, mesmo que você não ache nada disso. Guarde tudo isso para outros ouvidos e me deixe digerir a gente. Me deixe te colocar para fora. Me deixa te tirar de dentro de mim.

Compartilhe.

Deixe um comentário