O Boyhood das nossas vidas

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Não, essa não é um novo tópico da sessão de dicas do blog. Tampouco uma análise publicitária ou qualquer coisa desse tipo. Estou aqui para falar sobre a vida, sobre os anos que se passam, sobre as coisas que a gente precisa passar e passa mesmo sem perceber. E no último domingo, logo depois que o filme Boyhood ganhou o principal prêmio da noite no concorrido Golden Globes, percebi e percebo o quanto todo mundo valoriza a necessidade de se lembrar de que tudo isso que estamos vivendo hoje é passageiro, logo ficará para trás. Mas a bagagem é sempre muito grande, para todos.

O filme, do diretor Richard Linklater, foi gravado em 12 anos. Uma semana por ano acompanhando o crescimento dos atores e a sensação, ao final da sessão, que criamos uma certa intimidade com as personagens, um apego ao menino Mason, que aparece como uma criança no começo e, ao final, está na faculdade, ou à mãe Olivia, que cria sozinha seus dois filhos, casa, descasa, casa, descasa e joga na nossa cara a realidade de tanta gente, que pode pertencer a qualquer um. E aí está a chave do sucesso: a identificação.

É difícil não se ver na tela, como uma criança curiosa, como um adolescente descobrindo mil coisas novas, com a confusão que se passa na cabeça de todo mundo sempre, quando se trata de pés na bunda, de decepções, de irmãos chatos mas que, no fundo, são melhores amigos, de melhores amigos que somem de um dia para o outro, da descoberta de defeitos e qualidades em quem pensávamos conhecer mais do que a nós mesmos e tudo mais. E todo mundo está fadado a isso, sinto lhe dizer. Todo mundo vai se arrepender de certas coisas, será feliz por outras, e vida que segue! E quando você menos percebe, o tempo passa, as rugas aparecem e você olha para trás e percebe que tudo aquilo foi apenas um caminho até onde você está. E, novamente, vida que segue.

E independente de existir ou não um filme que jogue tudo isso na sua cara, mesmo que você nem perceba direito, a gente não precisa (ou não deveria precisar) de um roteiro que mostre que nossas escolhas definem não só nossas vidas, mas de todos que estão conosco, que nos amam e também fazem parte de tudo isso. E eu não sei exatamente se “pensar bem antes de tomar uma decisão” vai resolver algo, porque as coisas não são simples assim como em um manual de instruções, e às vezes a gente pode pensar por dias, meses ou anos, mas se aquela for a nossa vontade, mesmo que totalmente movida por emoções, é assim que será.

Boyhood, apesar de mostrar todo o crescimento e escolhas das personagens, não tem um ponto máximo em seu enredo. Mas, de qualquer forma, não vou sugerir que você corra atrás do clímax da sua própria história, afinal, não teria motivos para continuar escrevendo o que vem depois, se o auge já aconteceu. Mas que, na verdade, viva cada dia da maneira que te fizer melhor, aproveite os momentos e as pessoas, busque as coisas que te fazem bem, se deixe levar pelo fluxo natural dos anos, se deixe ter rugas e cabelos grisalhos quando for a hora, se deixe fazer escolhas, ser feliz com elas ou se arrepender, mas se deixe ter o seu próprio caminho também, e ter certeza de que ele foi exatamente como deveria ter sido. Seu.

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