Instabilidade reservada

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Instável. Sou desse tipo de pessoas que não se pode prever. Não que isso sirva de arma para atacar o que me incomoda, mas na verdade, é mais um escudo para me proteger das decepções.

Sempre fui destas que se apegam às coisas, sabe como é. No começo ficava com os dois pés atrás, mas com a confiança eu ia cedendo. Ganhei amizades assim. Ganhei amores assim. E assim também os perdi. Quando cedia e já confiava eu também me doava, tentava levar para a tal da esportiva, reprimia reclamações e descontentamentos com medo de perder. E assim, eu chegava em algo que sempre foi o meu ponto mais forte e também o mais fraco, o limite da minha paciência, quando não me importava mais ganhar ou perder, ter ou não ter, e de fato, essa indiferença me levava a me distanciar e levantar meus escudos novamente.

E é difícil pra quem precisa de duas ou três batalhas para perceber que não estava em guerra abaixar a guarda quando estamos no meio de pessoas tão instáveis quanto eu. Percebi, com o tempo, que toda vez que eu abaixava demais, que eu cedia demais, que eu me doava demais, eu virava moeda sem valor, virava provável demais, então qual era a graça mexer um músculo se quer por algo que você sabe que não vai sair do lugar?

É é isso. Por mais instável, por mais pé atrás que eu seja, tenho certeza que essa defesa me serve para que eu não vire figura fácil para qualquer um, porque, se olhar bem, com atenção, a gente consegue ver exatamente quem merece ou não que a gente abaixe a guarda. E mesmo assim, mesmo confiantes, a gente se doa, mas também se guarda, se dedica, mas também quer carinho. É na mesma moeda, pedir o mesmo pagamento em troca, é reciprocidade da mais pura. É pra fazer valer a pena, então que seja de verdade. Na amizade, no amor, em tudo.

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