Hoje eu sonhei com você

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Hoje acordei no meio da madrugada pensando em você. Fazia tempo que isso não acontecia. Fazia tempo que não me deparava com sua imagem tão real e perto de mim quando, na verdade, você nunca esteve tão longe.

Por um minuto eu quis chorar porque lembrei das coisas ruins que aconteceram. Mas tudo bem. Deixa para lá.

Guardei a minha lágrima e resolvi pensar em tudo o que aconteceu desde quando você pegou suas coisas e enfiou naquela mala bege horrível que sua tia te deu. Maldita mala bege. Eu sabia que ela algum dia se uniria a você contra mim.

Mas tudo bem. Acho que o problema não foi a mala. O problema não foi você e muito menos eu. Você foi embora porque tinha que ser assim. E eu precisava sangrar por dentro para aprender a lidar com a dor de ver você batendo a porta na minha cara e nunca mais aparecendo.

O problema é que a dor foi tão forte que meu corpo começou a repelir automaticamente qualquer pessoa que tente se aproximar de mim. É automático pensar que é passageiro e o desfecho já está escrito. Então vale a pena ficar? Vale a pena investir? Afinal de contas, será que eu aguento passar por outra dessas?

Sinceramente, eu não sei.

Mas você tinha aquela mania de falar que as coisas aconteciam como tinham que ser. E por muito tempo achei que era só uma desculpa para não encarar seus atos e assumir seus erros. Muito fácil culpar um suposto destino pré-escrito.

Mas depois vi que você estava certo.

Não adianta chorar pelo o que aconteceu ou pelo o que não aconteceu. Não adianta procurar razões em faltas de sentimento ou em mudança de comportamento, de achismo ou qualquer coisa desse tipo. A gente não controla o tempo todo o que queremos ou o que sentimos e por muito tempo tive raiva de você por não ter segurado o amor que sentia por mim aí dentro. Deixou ele escapar. Deixou ele sumir. Enquanto o meu continuou e eu me achei a pessoa mais ingênua desse mundo. Deve ser aquela tal coisa de ego ferido.

E hoje olho para trás e, apesar de ainda sentir uma pontada na ferida que você me deixou, vejo que realmente as coisas acontecem como têm que ser.

Eu precisava te conhecer. Precisava te amar até não conseguir explicar.

Eu precisava do seu cheiro, de você na minha cama, dos seus beijos, do seu cabelo enroscado no meu piercing, de você chegando cansado do trabalho e feliz por eu ter esquentando algum congelado da Sadia.

Eu precisava de você na minha vida da mesma forma que eu precisava enxergar que ela poderia seguir sem sua presença também. Que as coisas continuam. A gente cria casca, coloca nossa armadura e passa a se proteger mais e deixar os pés mais atrás (mesmo que, às vezes, seja preciso dar um belo pulo para frente).

E tudo isso até um dia que vamos nos distrair e tropeçar em alguém que vai fazer sentido. E deixar de fazer de novo. Ou não, vai saber. As coisas acontecem como tem que acontecer.

E ver que você seguiu me fez seguir também. Me fez perceber que você foi foda na minha vida, mas eu precisava ser mais foda ainda para ocupar sozinha os meus vazios. E eu consegui. Quer dizer… a cada dia ainda encontro um buraquinho ou outro, mas pelo menos eu não pareço mais um queijo suíço.

Na verdade por muito tempo eu relutei em te agradecer. Mas obrigada. Obrigada por ter aparecido, ficado e partido quando teve que partir. Obrigada por ter me ensinado a não receber nenhuma migalha e a levantar a cabeça. Obrigada por ter me feito seguir em frente quando eu não queria. Obrigada por ter me feito querer ser mais forte e decidida, aberto os olhos e deixado de lado aquela loucura em procurar, a qualquer custo, um amor da vida (mesmo que seja meia boca).

Hoje vou dormir de coração em paz porque sei que se você aparecer novamente no meio da madrugada nos meus sonhos, eu não vou sofrer.

Eu vou seguir. Como segui e sigo. Porque eu sou o verdadeiro combustível na minha felicidade. Não você. Não mais.

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