Eu quero a sorte de um amor (em todas suas fases)

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Hoje pela manhã me deparei com um texto sobre relacionamentos. O texto, em si, era muito bom, bem escrito, mas, na essência, me senti um peixe fora d’água por discordar veemente da sua ideia principal, de que o amor e a segurança não conseguiam caminhar juntos. Existem uma grande confusão quando se trata de amor e paixão. Alguns dizem que ambos sentimentos se assemelham, outros dizem que um é seguido do outro e não é possível existir concomitantemente um junto com o outro.

Mas a verdade é: não existe uma definição concreta do que é amor, e do que é paixão, de qual é melhor e qual é pior. E acima de tudo, a gente só consegue entender (porém, não necessariamente, explicar) qual a diferença entre ambos sentimentos com o passar do tempo, com o nosso próprio amadurecimento e experiências da vida.

Paixão é aquele fogo, aquele medinho nas coisas mais banais, aquelas dúvidas como “será que eles vai me achar bonita com essa roupa?”, “será que se eu falar isso ele vai me achar uma babaca?”, até naquela sensação de fogo por dentro, mais conhecida como as boas e velhas borboletas na barriga. É durante a paixão que a gente se conhece, se conecta. São aqueles dias, meses, ou até anos, em que existe aquela necessidade de conquista, em que existe até um receio de que aquela relação não vá para frente.

Já o amor, para mim, é aquela fase em que o sentimento está consolidado, em que existe confiança, companheirismo, sintonia. O amor existe quando sabemos que a pessoa pode estar rodeada por mil outras, e temos a certeza de que ela vai voltar para nós. Quando acordamos de péssimo humor, com a cara toda amarrotada e com o cabelo desgrenhado, no auge da TPM, e sabemos que o sentimento por nós não vai mudar, tampouco diminuir. O amor não exclui a paixão, ele só a amadurece, a torna confiante nela própria, em nós.

Porém, nem o amor, muito menos a paixão, estão garantidos na eternidade. Essa história de “dar certo com alguém” nunca me convenceu. Não entendo porque temos que aguardar a chegada da eternidade para que algo valha à pena, se temos todos os dias para aproveitar os bons momentos e criar boas lembranças que, estas sim, estarão sempre guardadas na memória.

O negócio, então, é aproveitar cada fase dos relacionamentos que nos envolvemos. Arder por dentro, se jogar de cara, sem medo, se mostrar totalmente, permitir-se se “despudorar”, aceitar a rotina que foi criada à dois, solucionar suas dúvidas, confiar, apaziguar, se entrelaçar, e, querer, como dizia Cazuza, “a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”.

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