Entre pontos e acertos.

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Eu sou assim mesmo, desse jeito despida de conclusões precipitadas, completa por muitas histórias para contar, mesmo que não tenha vivido nem um terço dos momentos que almejo até a eternidade, formada por vontades e anseios que não cabem dentro de mim.

Sou um guia completo de pontuações.

Sou muitas vírgulas, porque acredito que é preciso pensar não apenas ao seu bel-prazer antes de se jogar a fundo nas oportunidades da vida. Sou parênteses quase todos os dias, porque existem muitos detalhes sobre mim mesma que até eu desconheço. Sou reticências quando necessário, quando a resposta final depende muito mais de outras perguntas e questionamentos do que o previsto.

Já fui muitas vezes um ponto final, também, porque acredito que quando não sima mais, não agrega, tem que fazer parte da faxina diária, tem que renovar mesmo.

Usando do velho clichê e frase de efeito, ou soma ou some, sem alternativas para essa questão. Sempre preferi elevar tudo ao máximo, mesmo que já tenha caído muitas vezes de alturas inestimáveis.

Mas para mim a vida sempre foi assim, sem freios e medidas, agarrando os momentos vividos como se fossem os últimos, fazendo com que eles realmente valham à pena afundo, e não só na superfície. Aliás, em relação às superfícies, nunca me senti parte dela, porque sempre almejei alcançar o máximo possível em todas as coisas. Se eu estou certa ou errada, eu realmente não sei dizer, mas é esse o jeito que conheço. É esse o jeito que continuo querendo para mim.

E se falam que é difícil compreender as mulheres, ou compreender os homens, na minha concepção, minha maior dificuldade é minha auto compreensão, e não por ser difícil de se ler, até porque sempre fui e provavelmente sempre serei um livro aberto ao mundo, mas devido minha inconstância, meus medos encobertos por sorrisos amarelos e forçados, meus receios que nem ouso descobri-los por completo.

E provavelmente sempre vou ser assim, com pés calejados andando pelas nuvens dos meus sonhos mais profundos, pelas brasas que a vida coloca à minha frente, e pelas águas das correntezas que me levam. Porque para mim não existe e nunca existiu um meio termo, nem muros para ficar por cima. É sim ou não, já que o talvez te estagna, sem te levar para lugar algum, e o mundo é feito de milhares de lugares para serem descobertos e devastados por nós, é só (querer) alcançá-los.

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