Diário de uma pessoa ciumenta

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Não. Não é fácil admitir, hoje em dia, quando você faz parte desse enorme grupo de pessoas que tem esse negócio dentro do peito quase que constantemente, esse negócio que chamam de ciúmes mas, às vezes, você nem sabe realmente o que é. Em um mundo onde ser desapegado e infinitamente feliz nas fotos das redes sociais, admitir-se inseguro é quase como um convite ao fracasso, à pena alheia por não fazer parte desse círculo de pessoas tão de bem com a vida.

Mas não pense você que é fácil ser um ciumento, porque não é, de verdade. Não é fácil ser inseguro. Não é fácil conviver com a fertilidade da nossa imaginação que, aparentemente não quer nos fazer acreditar que somos capazes de manter alguém tão apaixonado, que não queira nem mesmo cogitar como seria a vida sem nós. Não, não é fácil. E é chato também. Tanto para quem está ali sentindo o aperto daqueles pensamentos frustrantes, como para quem está sendo cobrado.

Talvez sejam as cicatrizes que ganhamos pela vida. As decepções inevitáveis, sempre acompanhadas de uma mentirazinna sobre as coisas mais simples possíveis. Talvez seja esse pensamento que parece ter sido inserido no “senso comum” de que traições são normais. Não gente, trair não é normal e nunca foi. E eu não falo apenas de traição à relacionamentos amorosos, mas de confiança no geral, nas amizades, no trabalho e por aí vida afora.

Mas, admitindo esses todos defeitos, quero pedir desculpas à quem mais sofreu dessa minha mania de inferioridade repentina, mesmo com essa camada grossa de aparente auto-confiança. Minhas sinceras desculpas à mim.

Desculpas pelas vezes que coloquei minha vontade em último lugar, que me deixei acreditar que não poderia manter alguém interessado. Que não soube superar. Desculpas por não saber colocar em prática os próprios conselhos que dei aos meus amigos. Desculpas por ter perdido noites de sono, imaginando um milhão de coisas que nunca aconteceriam. Desculpas por não colocar aquele negócio de “o azar não foi meu” em prática, por mais que tentasse. Desculpas por ter vergonha de admitir que eu sou sim uma pessoa ciumenta e não sei mais o que fazer com isso, que às vezes eu estou bem, mas outras vezes eu estou péssima.

Mas essas coisas acontecem. E ninguém consegue ser totalmente perfeito o tempo inteiro. Ninguém é obrigado a ser totalmente perfeito o tempo inteiro. E depois desse desabafo, eu vejo que (mais do que terapia), é preciso reencontrar um amor próprio que te salve de cegueiras repentinas. E sem essa “vibe deprê”, caro amigo, mas todo mundo precisa admitir o que tem escondido debaixo do escudo também.

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1 comentário

  1. Ninguém Sabe 2.5 em

    É bem por ai mesmo, Carol. A pessoa que mais sofre com seu ciúmes é voce mesma. E ninguém, alem de você, pode controlar e resolver isso. Acredite: nós podemos mandar no que sentimos!!!

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