Continue a respirar

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Hoje o meu coração parou de bater por um instante. Parou quando lembrei dos momentos que tivemos juntos. Parou porque você levou um pedaço dele junto contigo quando foi embora. Parou porque soube que, na verdade, você só foi embora porque eu pedi.

Me desculpa por ter desistido. Me desculpa, de verdade, por ter deixado a nossa história para trás e seguido em frente como se nada tivesse existido. O fato é que aconteceu tanta coisa, e foi acontecendo, acontecendo, até sair do meu controle. Os sorrisos não eram tão largos quanto antes, as brigas aconteciam por qualquer motivo, o beijo não fazia mais sentido e nada, nada do que tentávamos dava realmente certo. A gente perdeu a noção sobre nós mesmos – e isso que pensávamos que nos conhecíamos tão bem…

Hoje eu não lembrava mais quem eu era quando você estava por perto. Não lembrava até agora. E pensando bem, ainda tenho minhas dúvidas do que realmente aconteceu naquela manhã quando você pegou sua mala e foi embora. Parece que estávamos dando socos em ponta de faca, mas agora, de longe, tudo parecia mais fácil. Mas não era e nunca foi. Nunca foi fácil pra nós. E esse é o problema: relacionamentos têm que ser fáceis.

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Eu desisti porque você já tinha desistido também, porque nosso fim era óbvio (apesar de eu nunca ter gostado de coisas óbvias). Escondi tudo debaixo do tapete, guardei à sete chaves e não quis mais me deparar com aquela bagunça que causamos aqui dentro. Hoje, sem querer, tropecei no monte de lembranças emaranhadas. E, outra vez, não foi fácil. O nosso problema, talvez, foi achar que as coisas se resolveriam sozinhas e ignorar o que estava bem à nossa frente: o nosso ponto final.

Me desculpa por ter sempre parecido durona e com a resposta pronta para todas as horas. Eu te desculpo por ter prometido estar comigo até o fim, mas ter cansado de nós sem mais nem menos. Você me ensinou que, às vezes, algumas atitudes têm que ser tomadas por mais que doam. Foi em prol à nós e à última tentativa de guardar nossas coisas boas. Afinal, quem gosta de olhar para trás e ver só a parte ruim?

Mas seguimos em frente, eu, você e qualquer momento que passamos. E a gente continua tentando respirar, viver por aí e passar uma régua em tudo. Quem sabe algum dia a gente dê risada de tudo isso. Quem sabe, daqui a alguns anos, podemos tomar uma cerveja em algum bar lá do centro e dar risada das vezes que pulávamos na piscina, dos filmes que mal sabíamos o final, das músicas em inglês enrolado e das nossas piadas sem graça. Você continua por aí. E eu, eu continuo apenas respirando.


Texto de autoria de Carol Sassatelli, publicado originalmente no Superela.

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