Amigos, amigos, o tempo a parte.

1

Este é um daqueles textos que servem de alerta para que você consiga enxergar coisas óbvias do dia a dia que normalmente passam tão despercebidas que acabamos esquecendo. Infelizmente não são iguais à coisas como respirar ou piscar os olhos, porque, no caso aqui, a gente não lembra, mas a lembrança ainda não está automática em nossa memória.

Sempre fui dessas pessoas que gostam de se dar bem com todo mundo, que não tem cabeça para aguentar conviver com nenhuma pessoa que não me agrada. Em compensação, aos meus amigos, me dedido de forma intensa (e sempre gostei desta reciprocidade na minha vida também). Mas nem sempre as coisas são como a gente espera.

As pessoas são diferentes entre si – o que eu, pessoalmente, acho ótimo – mas, em compensação, o resultado desta inconstância é que nem sempre pode-se prever o que está se passando na cabeça de outro alguém, mesmo que você já conheça essa pessoa há muito tempo. As pessoas mudam, as fases mudam, os conceitos (e pré-conceitos) também vão se alterando com o tempo, e isso tudo misturado faz com que aquela distância inevitável vá surgindo com o decorrer do tempo.

Não, nem de longe estou afirmando que não se pode confiar nas pessoas ou nos amigos que a gente vai fazendo e acumulando através dos anos. Acredito que deve haver confiança sim, dedicação também, e ninguém consegue viver completamente sozinho (pelo menos, na minha opinião,  não totalmente satisfeito ou feliz), e acaba sempre na longa fila de pessoas que acreditavam na amizade eterna e descobriram que as coisas não funcionam desse jeito sempre.

Amizade é aquilo que nos traz conforto quando precisamos, risadas inesperadas e conselhos cheios de razão. Uma das coisas mais gostosas de uma amizade mesmo  é poder contar seus segredos, chorar no ombro alheio e ouvir alguns conselhos.

Porém, às vezes o tempo prega algumas peças na gente. Existe uma dificuldade indiscutível em conservar melhores amigos durante toda a vida. É lógico que há exceções (e sortudas são estas pessoas excepcionais!). Mas o rumo de nossas vidas nem sempre segue o mesmo caminho, os nossos pensamentos vão mudando conforme nossos aprendizados diários, vão surgindo novas pessoas que parecem estar mais similares à nós naquele momento, e isso tudo quando misturado acaba tornando grandes amizades em meras lembranças de bons tempos.

Amizades para serem verdadeiras não precisam ser para sempre. E essa é a confusão que muita gente faz por aí. Para que algo “dê certo” a eternidade não é caminho, mas sim, o dia a dia. Os momentos bons, as boas risadas, as fotos tiradas, os segredos confidenciados,  as cervejas brindadas, os ombros cedidos e as broncas necessárias formam aquilo que a maioria das pessoas procuram por aí: amizades verdadeiras de pessoas que se completam – porque não são apenas nos relacionamentos que é necessário sintonia. E precisamos encarar os fatos, permitir que aquela outra pessoa viva e cresça também, mesmo que nem sempre na mesma direção que estamos indo. Precisamos aprender a viver o hoje, aproveitar os momentos que estamos vivendo com as pessoas que estão ao nosso redor. Porque, se não conseguimos desfrutar de todos os momentos que vivemos agora,  não teremos nenhuma lembrança para guardar para o amanhã, e quando olharmos o porta retrato no futuro, a foto estará vazia de histórias para contar.

Compartilhe.

1 comentário

  1. Maria Aparecida Sassatelli em

    Muito bom, em verdade é isso ai adorei , como sempre os textos são todos maravilhosos e demostra uma sabedoria genial. Deus abençoe. bjsss

Deixe um comentário