A rotina é o sinal de que está dando certo

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Antes de começar a ler este texto, já aviso de antemão: aqui terão mais do que palavras. Deixo aqui sérios avisos para que você tire de uma vez por todas essa ideia que enfiaram na sua cabeça de que quando a rotina chega, é hora de dar tchau.

Todo mundo gosta daquele sentimento de friozinho na barriga, das tais borboletas no estômago, e são estas sensações, muitas vezes, que nos fazem sentir mais vivos. Já peço desculpas desde já, mas preciso deixar uma coisa bem clara: sensações de êxtase não costumam durar por muito tempo. No máximo em alguns meses, até um ano, querendo muito, você ainda se sentir deste jeito, mas logo isso passa, logo as novidades passam a ser notícia antiga e aquilo tudo se incorpora no seu dia a dia, como o arroz ao feijão, como a pele à carne. E isso realmente não é uma coisa ruim. 

Quando a maré passa e os sentimentos se estabilizam, quer dizer, nas entrelinhas, que aquilo está dando certo. O difícil é que, no fundo, todo mundo gosta de uma sensação nova, de um novo desafio. E é por isso que muitas pessoas continuam procurando esse tipo de emoção, mesmo que já estabilizadas, mesmo que em relacionamentos consolidados.

Mas, daí que vem a chave da questão: nós somos seres inconstantes. Somos uma variável e é por isso, muitas vezes, mudamos de ideia quanto a coisas antes tidas como certas. E, na minha opinião, este é o charme do ser humano. Ser a mesma coisa durante a vida toda realmente deve ser algo chatíssimo e insuportável até para quem está por perto. Mas, por outro lado, é horrível conviver e/ou ser uma pessoa que não tem certeza do que quer, imprevisível sempre, porque dá medo conviver com esse tipo de gente. Ninguém gosta de apostar suas fichas em algo que não se tem certeza de existir reciprocidade.

O negócio, porém, é conseguir entender que, nem sempre algo que não é mais empolgante, ficou ruim. E pra gente entender isso, temos que nos olhar por dentro, olhar o que realmente queremos das nossas vidas, colocar numa balança tudo o que já passamos e pelo o que esperamos passar e decidir se vale ou não ter aquilo ainda como parte da sua vida. A resposta pode ser sim. A resposta pode ser não. Mas a motivação para a sua escolha não deve ser embasada em saudades de ter borboletas ou fogos ou qualquer outro tipo de coisa no estômago. O que temos que saber é o que vale a pena ou não ainda ser vivido, digerido, encarado todos os dias. Porque no fundo, olhando bem, a gente tem certeza do que ainda precisamos ter em nossas vidas. Só é preciso admitir.

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