A liderança nessas provas de relacionamento.

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Se doar é fundamental para qualquer relacionamento. Mas esta doação assim, de bandeja, se limita exatamente onde o seu amor próprio fala mais alto. E não, ao contrário do que a maioria de nós coloca na prática, essa limitação deve acontecer diariamente, não apenas quando chegamos ao nosso limite e pensamos “em quanto nos dedicamos ao outro, e como não recebemos nada em troca”.

Quando a gente gosta bastante de alguém, acaba depositando uma carga enorme de expectativas naquele relacionamentos, e queremos nos mostrar no nosso melhor lado, sempre. Mas hoje ouvi uma coisa que, por um lado, eu acredito que seja verdade. É difícil um relacionamento em que os dois lados se amam na mesma intensidade, e acaba que uma das partes se transforma no “líder do relacionamento”. Daí você pensa “claro que não, Caroline, sua louca”, mas é fácil perceber se lembramos dos nossos primeiros relacionamentos, de quantas  vezes nos podamos para agradar o outro, de quantas vezes a gente que gostava de azul, começou a nem fazer mais questão de azul porque o outro preferia o amarelo.

Ninguém quer estar no papel do que dispõe de mais amor em um relacionamento, mas de verdade, eu não vejo nenhum problema em ser a pessoa que tem seus sentimentos controlados por esse sentimento, desde que tudo isso não faça com que seu amor próprio fique em segundo plano, desde que não anule suas vontades e seus desejos, achando que isso é o melhor a se fazer.

Amar o próximo é importante, mas se amar é muito mais. E quando percebemos isso, conseguimos enxergar coisas que antes estavam sob efeito de uma “cegueira amorosa” que nós mesmos criamos, e nos fazem perceber o quão ridículos podemos ser quando depositamos todas nossas expectativas em algo sem fundamente. Comodismo? Talvez. Medo de ficar sozinho? Talvez, também.

Mas o fato é que, enquanto a gente não se amar de verdade, desses amores incontroláveis que não cabe nas palavras, a gente nunca vai conseguir se encaixar, de verdade, em um relacionamento, porque (não sei se coincidentemente) a nossa falta de amor próprio automaticamente faz com que o amor próprio do outro aumente. Sabe esse negócio de ego? É bem disso mesmo. Porque é do ser humanos tentar ser o líder da matilha.

O problema é que quando essa liderança fica muito tempo na mão de um só, uma das partes sempre irá cansar, mais cedo ou mais tarde vai perceber que alguma coisa está divergente ali. Se você quer um relacionamento saudável, saiba dividir o seu bastão. Saiba que, se não der certo ali, você não vai morrer, não vai perder “a chance da sua vida”, porque (pode parecer clichê) a vida sempre está nos reservando o melhor de tudo o que queremos, mas ela é esperta demais para entregar tudo de mão beijada, e faz esse joguinho de “caça ao tesouro” com a gente até conseguirmos encontrar a felicidade plena.

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