A geração do desapego obrigatório

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Essa é a geração dos mil contatinhos, a era de quem administra os assuntos nas janelas do whatsapp e tem medo de confundir quem é que está falando o quê. O que importa, no fim, é não se queimar com nenhum possível affair para o final de semana.

Não, me desculpe se você entendeu errado. Não há efetivamente nada de errado nisso. Ser solteiro é bom demais, fazer o que quer sem ter que dar conta para ninguém é libertador. Aliás, tem muita gente que prefere mesmo ser solteira, mas tô aqui falando com aqueles que algum dia esperam realmente encontrar alguém. Acontece que, talvez esse dia não aconteça. Ficar se privando de dizer o que você sente, andar sempre com os dois pés para trás e resumir a pessoa que você gosta em @ é meio triste, né não?

A gente vive em uma geração que não quer se deixar levar. Todo mundo é muito desapegado e quando você tenha se apegar, obviamente não dá certo, já que a outra pessoa também tem medo de se relacionar, mesmo que também goste de você. Aí o negócio é seguir o baile, fazer um tópico no LDRV, postar uma indiretas no twitter e se fechar mais um pouquinho.

Estamos vivendo em uma geração de fracotes amorosos, que estão fadados a ser só mais um contatinho na lista de alguém e esperar que o crush tome alguma atitude. Estranho, porque talvez o crush também esteja esperando algo de você. E mais esquisito ainda esse negócio de não deixar claro o que se quer e depois simplesmente ir embora como se nada tivesse acontecido. Cansou do brinquedo, coloca ele na estante e quem sabe algum dia mande um “oi, sumida” novamente.

Que bom seria deixar sentir aquele friozinho na barriga de novo. Que bom seria esquecer as presepadas que não deram certo, as palavras que machucaram, os chifres que tomamos e só se deixar levar. Quem bom seria poder falar “eu gosto de você” sem ter medo da outra pessoa fugir, afinal, que pecado é esse… falar o que sente.

Que bom seria, aliás, viver sem ter medo de sentimentos, de se apegar, de abraçar quando tem vontade, de pegar na mão, de beijar. Eu não entendo tanto da vida, mas sei que, gente, vocês precisam se deixar levar um pouquinho, precisam se apegar sim, amar sim, dizer sim! Se não der certo no futuro, não deu! Mas deu certo por um momento e o sentimento foi gostoso, os beijos foram bons, o sexo valeu a pena e as risadas fizeram sentido!

Quem sabe algum dia a gente deixa essas armaduras racionais de lado e damos um pouquinho de voz ao coração. Ele também sabe falar.

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